domingo, 1 de outubro de 2017

Acre - O Império das aves cascudas e a Expedição Choca-do-acre – Parte I

Se você não gosta de "textão", melhor fechar essa página ou deixar pra ver outra hora. Mas se tem curiosidade para saber como foi essa expedição, então, “senta, que lá vem história”. Foram mais de 11 mil fotos pra escolher e tratar, em menos de 15 dias escrevi 20 páginas e fiz alguns vídeos. Dividi em duas partes (parte II aqui) para facilitar. Viaje comigo a partir de agora. E deixe seu comentário no final, vou apreciar muito!!!

O Estado do Acre está localizado no extremo oeste do Brasil, em uma área de transição entre a Cordilheira andina e as terras baixas amazônicas. Das 1.300 espécies de aves existentes na Amazônia, já passam de 700 as registradas no Acre. A tendência é aumentar, pois muitas ainda estão em estudo, aguardando apenas a confirmação pelos ornitólogos competentes pra isso.
 
Acre - O Império das aves cascudas
Porque chamo as aves de “cascudas”? Ave cascuda é o jeito que a grande amiga Vanilce Carvalho, de Manaus, descreve aquele tipo de ave difícil de registrar, seja pela sua raridade, seja pelas dificuldades que o ambiente apresenta ou mesmo pelo comportamento da própria ave.

E o Acre sai na frente disparado no “quesito ave cascuda”. Os ambientes que as encontramos são os mais inóspitos do país. Por essa e outras o Acre “está na moda”, dizem os amigos passarinheiros. Talvez por se tratar de lugar pouco explorado, com novas espécies ainda sendo descobertas, o poder atrativo da região só aumenta.

Sem contar as belas espécies, endêmicas ou não, que habitam ambientes como as espinhosas tabocas (*), as florestas ombrófilas densas ou abertas ou as campinas/campinaranas.

Fiz algumas pesquisas na minha bolinha de cristal (que recebe carinhosamente o nome de google.com) e encontrei definições interessantes para taboca. *"Taboca é o nome popular (oriundo do tupi) do bambu (Guadua weberbaueri), também conhecida como taquara. Os tabocais localizados no sudoeste da Amazônia são considerados a maior reserva de bambus nativos do mundo. Trata-se de uma gramínea de porte arbóreo que se caracteriza por sua rusticidade e elevada capacidade de produção de massa renovável. Seu uso ainda é muito restrito e desconhecido, sendo considerada uma planta daninha de difícil erradicação, um estorvo à abertura de novas áreas para o cultivo, pois forma um emaranhado com a presença de muitos espinhos, dificultando o acesso". E eu que achava que gramínea era aquele matinho dos estádios de futebol - kkkkkkkk 😀😃😄😁😆😅😂🤣

Nem sempre os espinhos que aparecem em nossas vidas são para nos machucar. Alguns guardam tesouros alados, como os tabocais do Acre.
 
Olha aí, um espinho pronto pra te agarrar.

Entendo que é por causa dos espinhos e emaranhados que é o ambiente preferido das aves cascudas, pois podem assim se proteger melhor dos predadores, inclusive humanos. Mas elas podiam facilitar para os fotógrafos de aves e colaborar um pouquinho na hora da foto, uma vez que nem a nossa cabeça, nem chapéu, pernas, ombros, braços, camisas ou calças, nada se salva dos afiados espinhos das tabocas.

Acre - O Império das aves cascudas e a Expedição Choca-do-acre – Parte II

O Parque Nacional da Serra do Divisor é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza. Criado através do decreto Nº 97.839 em 16/06/89, situa-se no extremo oeste do Acre, na fronteira com o Peru. É o ponto mais Ocidental do país e abrange os municípios de Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo e Rodrigues Alves.

É considerado o local de maior biodiversidade da Amazônia. A floresta tropical aberta é o tipo de vegetação predominante e seguramente a mais preservada da Amazônia brasileira. Várias espécies endêmicas vegetais e animais são encontradas devidas, em parte, à sua proximidade com o ecossistema andino, numa região de transição das terras baixas da Amazônia e as montanhas dos Andes. Possui uma área de 843.000 hectares, sendo o quarto maior parque nacional brasileiro. É administrado pelo ICMBio. Grande parte de seu território ainda é preservado e faço votos que continue assim.

a famosa choca-do-acre (Thamnophilus divisorius), que deu o nome a nossa expedição

A origem do nome vem do relevo (geografia) da região onde se encontra um divisor natural das águas das bacias hidrográficas do rio Ucayali (Peru) e rio Juruá (Brasil). Na região também são encontrados valiosos vestígios fósseis. O rio Juruá nasce no Peru e banha os estados do Acre e Amazonas, no Brasil. Deságua no rio Solimões, em um percurso de aproximadamente 3 000 quilômetros.

Abriga comunidades indígenas e ribeirinhas, por isso é de grande importância para a região, servindo como hidrovia para essas diversas comunidades, já que rodovias são inexistentes na maior parte de seu curso. O rio Moa é um afluente do rio Juruá, possui muitas cachoeiras e corredeiras. A Serra do Divisor é a única cadeia de montanhas acreanas.

Convido você a assistir esse vídeo do Governo do Acre sobre a Serra do Divisor. O uso do drone nas imagens nos mostra uma dimensão difícil de se ver "in loco". (imagens e edição – Pedro Devani/ Secom/Governo AC). 


Vamos seguir com o relato. Se você leu a parte I deste relato, já sabe tudo que antecedeu nossa viagem e como chegamos até aqui. Se não leu eu recomendo clique aqui antes de prosseguir.