quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Expedição "Mãe-de-taoca". Os encantos da floresta amazônica.


mãe-de-taoca-de-cauda-barrada (Gymnopithys salvini
É preciso muita disposição, inspiração e dados para montar um bom e agradável relato de viagem para postar no bloguinho. Sou muito exigente e para postar mal feito prefiro não postar. Porém nem sempre a gente consegue conciliar disposição com inspiração.  Antecedendo essa última ida para Manaus, lembro exatamente como eu estava: ansiosa, chateada com alguns fatos pessoais na minha vida e sofrendo com a abstinência de passarinhada. 

Porém, durante e após a viagem é que eu tive a noção do tanto que é importante para mim fazer uma bela e feliz passarinhada. Sim, minha alma necessita dos encantos e sonhos que só as florestas e seus rios podem proporcionar. Além do que, estar entre bons amigos é essencial e faz muito bem para a saúde.

Passarinhar é bom demais, cura todos os males, inclusive dores de amor, dores de cotovelo, da coluna, dos joelhos e até dor de barriga rs rs rs. Ver passarinhos engrandece a alma!  
Passarinhe sem moderação!!! 🐧🐦🐤🐥🦆🦅🦉

Essa viagem foi idealizada e planejada para eu ir sozinha devido às espécies ainda não vistas serem difíceis demais, o que demandaria roteiros complicados e bem específicos. Mas que graça tem se uma viagem não for recheada de alegrias, muitos risos, dividida com os verdadeiros amigos? Sorte minha que a amiga Viviane de Luccia resolveu aceitar meu convite. Ela é uma super companheira, sempre alegre e bem-disposta. Eita, que assim que é bom. Esta foi minha terceira viagem ao Amazonas, sempre guiada pela Vanilce e/ou Luiz Fernando, (veja relato da última aqui 📌). Lembrando que em outros momentos também adentrei terras amazônicas, como quando fui à Rondônia em expedição organizada pelo amigo Bruno Rennó (relato aqui 📌).

Vou tentar ser menos metódica e prolixa, mas não prometo nada. Tentarei mencionar tudo o que eu achar relevante nessa deliciosa expedição nominada “Mãe-de-taoca”. Você deve estar se perguntando que nome é esse...para quem não passarinha difícil entender mesmo. São 11 espécies aves que ocorrem no Brasil e levam esse nome, em decorrência de sua associação com as formigas de correição ou taocas. Formiga-correição, tauoca, tanoca ou taoca é a designação comum a cerca de 200 espécies formigas carnívoras, notórias por organizarem expedições periódicas de milhares de indivíduos. Não constroem colônias e têm um modo de vida em constante movimento. Algumas aves seguem regularmente essas expedições, aproveitando os insetos e outros pequenos animais que tentam escapar do ataque das formigas. (Wikipedia)

É uma mais linda que a outra e todas de difícil registro, por isso fazem parte do sonho de consumo ornitológico de qualquer passarinheiro. Até hoje só consegui registrar duas delas, uma nessa viagem, e outra em Rondônia. São elas: mãe-de-taoca, mãe-de-taoca-dourada, mãe-de-taoca-avermelhada, mãe-de-taoca-bochechuda, mãe-de-taoca-de-garganta-vermelha, mãe-de-taoca-de-cauda-barrada, mãe-de-taoca-de-cara-branca, mãe-de-taoca-arlequim, mãe-de-taoca-papuda, mãe-de-taoca-cristada e mãe-de-taoca-cabeçuda.

As 11 mães-de-taoca

Foram nove dias de expedição. Acordávamos em torno de 4:00h da manhã e saíamos sempre em busca das aves mais difíceis sem menosprezar as mais comuns que cruzavam nosso caminho. Afinal, metade das espécies do Brasil podem ser encontradas no Estado do Amazonas.