quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eu quero passarinhar!!!! Usando o método 5W3H


Há tempos atrás recebi uma demanda para falar no Avistar Brasil sobre o Quero Passarinhar, grupo no Facebook que congrega pessoas que gostam de fotografar/observar aves livres na natureza. Este ano, ao me decidir falar, resolvi dar um formato diferente ao tema e falar um pouco de como eu me decido, onde, quando e como passarinhar. Como não consegui gravar a palestra, atendendo a pedidos, vou relatar aqui no blog um pouco de como foi, usando inclusive algumas telas da apresentação e incrementando um pouco mais.

Durante minha vida profissional eu tive treinamento pra implantação de programas da Qualidade Total e um desses métodos eu incorporei na minha vida, inclusive nas minhas viagens. É o método 5W3H, eram 2H apenas, agora são 3 . Ao longo desse texto, você poderá ver como de alguma forma todas as perguntas da metodologia são respondidas.

WHAT? – O QUE (ETAPAS)
WHY? – POR QUE (JUSTIFICATIVA)
WHERE? – ONDE (LOCAL)
WHEN? – QUANDO (TEMPO)
WHO? – POR QUEM (RESPONSABILIDADE)
HOW? – COMO (MÉTODO)
HOW MANY? QUANTOS (QUANTIDADE)
HOW MUCH? – QUANTO CUSTARÁ (CUSTO)

Ser mulher e eleger o mato como lugar preferido pra estar a maior parte do tempo causa espanto em quem é mais ligado à vida das grandes cidades. Alguns amigos meus me questionam se não sinto medo, receio de ficar doente em lugares remotos, se não é tedioso, se não sinto falta de umas férias numa praia lotada de gente bonita, de ir ao teatro e ao cinema. A resposta é NÃO! Não mesmo. Não que eu não goste de viver na cidade, mas, sem dúvida, prefiro a paz que as passarinhadas me proporcionam, mesmo abrindo mão da minha própria elegância, da conveniência dos shoppings center, dos restaurantes e bares da moda e do conforto do meu próprio lar.


As duas próximas imagens mostram um pouco dos momentos mais felizes e inusitados da minha vida nos últimos tempos. A partir delas vou explicar como faço pra aumentar meus níveis de dopamina* durante uma viagem.

* A dopamina é o neurotransmissor da motivação. Aumenta o nosso direcionamento, foco e concentração. Ela nos permite planejar com antecedência e resistir aos impulsos, para que possamos alcançar nossos objetivos. Nos dá a sensação do “Eu fiz isso!” quando realizamos o que nos propusemos a fazer. Faz-nos competitivos e proporciona a emoção da “caçada” em todos os aspectos da vida – negócios, esportes, amor…A dopamina é responsável pelo nosso sistema de prazer e recompensa. Ela nos permite ter sentimentos de prazer, felicidade e até mesmo euforia. 



Todos sabem que antes de observar as aves eu já tinha um caso de amor com a fotografia e tentava me profissionalizar na área do automobilismo. Porém, as aves me conquistaram definitivamente e é delas que extraio as belezas que minhas lentes veem durante minhas viagens. Ao fotografar durante as viagens, o que me faz feliz? Lógico, o foco é sempre a lista de lifers (aves que nunca avistei). A ansiedade que nos domina frente ao novo nem sempre nos permite fazer aquela foto, então parto do princípio que lifer é lifer, tá valendo! Sempre é uma euforia incrível. Mas também é prazeroso fazer o “melhoraifer”, ou seja fotão daquela espécie que você já viu de muito longe e/ou entranhada e nem pode apreciar direito. A alegria também se dá quando eu faço, mesmo que uma foto ruim, o “municipal-lifer”, ou seja quando a espécie é registrada pela primeira vez em foto no Município, isso sempre considerando o site Wikiaves como mapa.


Uma das delícias da viagem é o “red-ball-lifer”, ou seja, é quando registro aves a cada município que atravesso e que vão resultar em pontinhos (bolinhas) vermelhos no mapinha pessoal do Wikiaves. Não importa quanto comum seja a ave, o que vale é o registro feito município a município. 
*Esse mapinha só é disponibilizado para quem é usuário contribuinte do site. 

Além disso, tem o mapa do e-Bird, que te dá uma visão global. Eu ainda estou montando as listas por lá, em algum momento sei que ficará atualizado. E por fim, curto colocar patchs de bandeiras dos Estados brasileiros ou Países onde fotografo aves nos coletes fotográficos. Dos Estados faltam três, e países, bom, o planeta é o limite.


Eu curto muito o “maravilhaifer”, que é quando você faz um lifer com uma foto espetacular. É a glória do photobirder. O suprassumo da fotografia de aves. É quando você sente prazer, felicidade e euforia, tudo de uma vez só.


E agora ficou criado "oficialmente", por sugestão do amigo Fabio Olmos, o “beer-lifer”, ou seja, durante as passarinhadas experimentamos novos sabores de cervejas e confraternizamos com os amigos. Já desisti de levar notebook pra baixar fotos durante a viagem, é peso extra e perda de tempo, investi em mais cartões de memória e mais momentos com os amigos.



E como começo a materializar as viagens que pretendo fazer? Sempre digo que tem três coisas numa viagem que você deve aproveitar e curtir muito: o planejamento, a viagem em si e o pós viagem. Mas vamos ao plano.


1 - Em primeiro lugar vem o desejo de conhecer um lugar, seja porque um amigo fez foto de uma ave rara no lugar, ou porque é um lugar que após pesquisa nas listas do  Wikiaves, e-Bird ou Taxeus, se mostrou promissor de avistamentos, ou ainda, porque você quer apenas conhecer um lugar ou rever um lugar legal que já foi. Também tem as publicações de sugestões no grupo Quero Passarinhar, no Facebook, seja por oferta de pacotes ou simplesmente mostrando lugares, aguçando o desejo de irmos conferir de perto.

2 – A segunda fase começa a complicar. É compatibilizar a própria agenda, decidir hospedagens, verificar se há passagens em oferta, disponibilidade de guias, se vai sozinho ou com amigos, se integra algum grupo ou monta o próprio grupo. Você faz uma avaliação de oportunidades, custos e benefícios e o papel do guia é fundamental nessa hora. Se ele é porreta mesmo, providencia um roteiro detalhado baseado em suas listas de lifers ou melhoraifers. Muitos ficam enrolando, ou porque tem clientes sobrando, ou por faltar tempo ou por não ter a mínima paciência pra fazer isso. Com certeza isso é um divisor de águas entre os mais procurados.

Como funciona a logística?
a)    Oferta de pacote pronto. Há muita oferta de pacotes prontos, alguns até incluem a passagem de avião. Você não tem como discutir nenhum item, é pegar ou largar. E nem pode escolher as pessoas que irão. É um tipo que pode funcionar ou não. Depende muito se os seus objetivos casam com os objetivos do pacote e reze pra que no tal quarto duplo, triplo ou quádruplo fique alguém que seja legal. Já participei de excursões assim e fiz excelentes amigos e já me dei mal também.
b)    Montagem de pacote por demanda (sozinha ou com amigos) – Você pede pra alguém montar um pacote pra você. É importante a clareza do pedido e do retorno de quem responde. Muitos não ditos por ditos causam mal estar depois, tipo esquecer algum custo importante e querer cobrar depois, informando, só depois do pacote fechado e aceito, que aquela despesa estava fora.
c)    Montagem de roteiro por demanda cuidando da logística – essa é minha modalidade preferida, eu digo que pretendo ir para aquela região, se vou só ou não, a pessoa monta um roteiro baseado nas minhas listas (e de amigos que por ventura me acompanharão) e faz a reserva de hoteis, providencia reservas/autorizações para entrar nos parques, aluguel de carro, etc. Você fica só responsável por comprar a passagem e chegar no aeroporto, onde já estão te esperando e ir pagando as despesas durante a viagem, conforme planilha informada. Lembrando que os custos são apresentados antecipadamente (inclusive com opções mais caras e mais baratas).
d)    Roteiro com logística por sua conta. Tem passarinheiro que prefere montar suas viagens sozinho, inclusive logística. Depois que chega no local, contrata o guia (ou não) e vai se embora. Eu não gosto, uma vez que não conheço o local e posso entrar em fria. A não ser que eu esteja retornando ao local,  mesmo assim, eu ainda prefiro a opção anterior.
e)    Convite para integrar algum grupo já montado. É muito comum amigos se juntarem pra viajar e ficar faltando um pra dividir os custos. Aí, o grupo resolve convidar amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos. Porém, o convidado deverá passar pela aceitação do grupo. Dependendo dos objetivos e gênio de cada um, isso pode se transformar numa grande dor de cabeça ou pelo contrário, pode culminar em uma nova grande amizade.
f)    Você convida amigos pra participar de um pacote ou montar uma expedição. Melhor você dar preferência para quem tem os objetivos e estilo muito parecidos com o seu. Questão muito delicada, por exemplo, quando se juntam pessoas com objetivos e gênio antagônicos. É preciso combinar antes, expor cada um o seu objetivo e tentar compatibilizá-los, estabelecendo desde já os limites. E o mais chato é quando você monta o grupo e convida aquele seu amigo legal, que resolve chamar mais três amigos legais que ele tem, sem falar nada com você antes, te colocando em uma saia justa, mesmo sabendo que você não gosta de lotar uma van pra sair pra passarinhar. Dependendo do tipo de bioma o melhor mesmo é ir em dois, no máximo em três ou mesmo sozinho.
g)    Um amigo te convida pra participar de um pacote ou montar uma expedição. Neste caso, quando o grupo está sendo montado, é a hora de colocar os pingos nos “is” e equalizar os objetivos da viagem. Não adianta reclamar depois.

3 – Fechado o roteiro e data é hora de pensar no que vai precisar. Primeiro providenciar as passagens de avião ou outro meio de locomoção que escolher. Verificar se os documentos estão em dia, como passaporte, se é para o exterior, carteira de vacinação, RG válido, CNH válida se você vai dirigir, ver se necessita levar moeda local (caso de viagem ao exterior), lembrar de liberar compras no exterior pelo cartão de crédito, verificar se sua administradora de cartão de crédito oferece algum tipo de benefício em viagem, tipo seguro-saúde, de automóvel, cancelamento de voo, bagagem extraviada, etc. Em alguns casos você tem que entrar no site e emitir os bilhetes de seguro. Perto da viagem, ver se tem alguma conta pra pagar, pra não ter dor de cabeça quando voltar.

Depois começar a separar o que irá levar na bagagem. Começo pelo equipamento, câmera, lente (inclusive back up caso dê pau em um deles), flash, tele-conversor, etc. E depois a “trecaiada” de acessórios, incluindo baterias, cartões, carregadores, adaptadores, régua de tomadas, lanterna, caneta-laser, lanterna, gravadorzinho, ipod com sons de aves e músicas preferidas, ou seja, tudo que posso usar durante a viagem, separo tudo numa necessaire pra facilitar. 


A segunda parte é dedicada aos remédios que consumo regularmente ou que posso vir a consumir, procuro incluir para febre, anti-alérgicos, dor de cabeça, dor de barriga, torção, cortes, tendinites, “velhites diversas”, só não achei ainda um que cure dor de cotovelo kkkkkkk - Agora incluí primeiros socorros também, nunca se sabe quando você vai precisar de água oxigenada, gaze, mertiolate e esparadrapo.


Numa necessaire eu incluo os repelentes: gel, spray, loção, sabonete escabin, um SBP com citronela pra passar à noite nas roupas, perneiras, meias, etc. Noutra necessaire vão os itens de toilette (itens de higiene, um creminho pros pés e mãos, um batonzinho, porque ninguém é obrigado a ficar com cara de bruxa no mato eh eh he). Já coloco as perneiras ao lado da mala, e separo o case com monopé, tripé e bastão de caminhada. Binóculos eu sempre levo, mas pouco uso. 

Por fim, a parte com roupas, que depende muito do clima e local que vou. Procuro levar o mínimo possível, geralmente camisetas dry-fit de manga comprida (de fácil lavagem e secagem), 2 calças próprias para o mato, com muitos bolsos, meu inseparável colete de fotografia, roupas íntimas, um pijaminha, chinelos, meias, uma sapatilha dobrável, uma capa de chuva, agasalho leve ou mais pesado, dependendo do clima local, saquinhos de lixo abertos no fundo pro equipamento, chapéu ou boné, luvas (porque só fotografo com luvas próprias, pois evita picadas e calos) e uma galocha se for o caso de ter brejo ou água. A bota de caminhada vai no pé pra evitar volume extra.



4 – Agora vou falar de uma pecinha pra mim fundamental para uma passarinhada ter e ser sucesso. O expert em aves: chame ele (a) como quiser:  guia, condutor, monitor, tour-líder, acompanhante, ou seja a pessoa especialista que vai te ajudar a ver as aves, aquela que tem um bom ouvido, que conhece todas as aves do local e onde elas podem ser encontradas.

Funciona assim, ele (a) te pede sua listinha de lifers de X, Y ou W municípios. Você envia sua “listinha básica”. No meu caso é uma lista sempre cabeluda, com bichos cascudos (como diz minha amiga e guia Vanilce), uma vez que das quase 2 mil espécies de aves que ocorrem no Brasil, eu já fotografei 1.308, já viu né, bem “básica” mesmo. Kkkkkk Mas eu sempre digo pro (a) guia que o mais importante é fazer uma viagem feliz e os itens da minha "ornito-felicidade" são os listados no início deste post.

Existem algumas frases nesse diálogo entre passarinheiro e guia que sempre me fazem rir. Se eu disser que não ligo pra lifer, não acredite, tô mentindo, lifer prá mim é como sapato novo. Eu adoro... Aí ele(a) pega sua lista e emite um sonoro: é tranquilo, quando você sabe que não é. Passarinhar não é uma ciência exata, onde dois mais dois são quatro, pelo contrário, é uma atividade mais complicada que a Hipótese de Poincaré ou Teorema de Pitágoras

Muitas coisas são relativas e nem sempre atendem nossos desejos. Quando as aves não aparecem as desculpas são sempre as mesmas e muito amplas: o clima não está propício, não é época, já migraram antes do tempo, não chegaram ainda, a frutificação está atrasada, os frutos já acabaram, as aves estão cuidando dos filhotes, saímos muito tarde pra mata, chegamos muito cedo na mata, é culpa da neblina, da chuva, da falta de chuva, está muito quente, está muito frio, está ventando muito, está muito parado, está muito abafado, está nublado, está muito sol, é lua cheia, é lua minguante, é lua nova, é lua crescente (daqui a pouco estarão até inventando lua para servir de desculpa kkkkkkk), por isso eu sempre digo, passarinho não tem CEP nem endereço certo, existem mais e menos possibilidades e o bom guia sabe quando essas possibilidades são maiores ou menores.


É preciso o guia ser honesto e o passarinheiro ter paciência e ambos terem bom humor pra tolerar aquele dia que os bichos resolvem não aparecer e o silêncio é quase sepulcral. E se a energia negativa se instalar, aí mesmo é que os bichos não colaborarão. Se quer certeza de encontrar um bicho num lugar, é melhor ir a um zoológico. Agora é importante saber discernir quando os bichos não colaboram de quando o guia está com má vontade de localizar uma ave difícil. Eu brinco que sempre existem algumas máximas: quem nunca ouviu um guia dizer “na volta a gente tenta de novo” ou “amanhã passamos aqui/lá novamente”. Confesso que vi poucos guias cumprirem essas “promessas”. Eles esquecem e partem pro próximo que pode ser mais fácil. Afinal o que importa é a quantidade de lifers a ser entregue, o duro é quando sua lista vai ficando reduzida a bichos difíceis, daqueles que te fazem perder um, dois ou mais dias pra encontrá-lo e nem assim!

Baseada em minha experiência, eu tracei um perfil do que considero um(a) bom(a) líder/expert (guia) para observação de aves. São situações que eu ou alguns amigos já passaram e que fui anotando durante um certo tempo. A maioria é auto-explicativa e as que necessitarem, eu complementarei com algum comentário. Espero que isso auxilie a aprimorar os serviços prestados, principalmente de quem está iniciando.


O(a) guia ideal para mim tem que...

1 – Responder, assim que estiver online, questionamentos, dúvidas ou quaisquer esclarecimentos adicionais (antes, durante e depois – não existe pior que uma mensagem visualizada sem resposta).
OBS:  É muito chato tratar com pessoas que enrolam para responder, e pior, quando respondem é sempre com evasivas ou esquecendo o que foi escrito ou dito no começo. É preciso ter em conta que informações tempestivas causam boa impressão, já a demora pode causar prejuízo, principalmente financeiro, tipo uma passagem ou hospedagem que estava em promoção. Também não gosto de informações vagas, imprecisas ou incompletas, principalmente sobre custos, datas ou roteiros. E o bom prestador de serviços jamais deixa de te ajudar na pós passarinhada, seja na identificação de alguma foto que fez durante a tour, uma dúvida qualquer ou ainda indicar um lugar onde a foto foi feita. Até pelo contrário, gosto daqueles que olham suas fotos postadas e te corrigem se necessário. Poucos dão importância a isso, sem nem imaginar o tamanho do buraco, pois nessa área da observação de aves, o boca a boca não tem pernas, tem asas e voa.

2 - Ao confirmar uma data, manter o compromisso e não desmarcar de última hora, deixando o cliente na mão.
OBS: Sim, só desmarque se algum fator alheio a sua vontade for imperativo. Caso Fortuito e Força Maior são os únicos motivos justificáveis para desfazer um contrato, mesmo que verbal. Isso é regra absoluta. Veja se é possível alguma solução, tipo alguém te substituir sem causar prejuízo ao cliente.

3 - Enviar um roteiro minimamente detalhando de cada dia do percurso a ser combinado.
OBS: Quer me matar de raiva? Pise na bola em relação a esse item. Me enrole e não ficará vivo como guia, pelo menos na minha memória. Ponto para os guias que tem facilidade e presteza para fazer isso.

4 - Ser objetivo e claro na hora de repassar os custos.
OBS: É terrível quando antes, no meio da viagem, ou após, você constata que tem que pagar alguma coisa que não foi combinado, bem esclarecido ou que ficou subentendido. Também não gosto quando o guia manda os custos e não especifica o que está sendo cobrado, isso depois de demorar meses para apresentar uma planilha.

5 - Estudar, previamente, a lista de lifers de cada cliente de modo a equalizar o grupo.
OBS: O melhor que o guia pode fazer é focar naquilo que é lifer pro grupo todo, pois se focar nos lifers de um só membro do grupo, a coisa poderá causar rancor no restante. E outra coisa que observei em alguns, todos pedem a sua lista de lifers, mas sequer abrem ou imprimem e ficam te perguntando na hora se é lifer pra você...juro que esse tipo merece um tapa "nazoreias"...kkkkkk

6 - Nunca mudar o roteiro combinado sem consultar o cliente
OBS: Dispensa comentários

7 - Dedicar 100% da atenção para o cliente de modo que ele saia mais do que satisfeito
OBS: É muito desagradável você estar fotografando e o guia pedir silêncio porque ele vai gravar a vocalização, exceção se for ele usar de imediato pra benefício do próprio grupo. Além disso ele deve evitar uso de celular para conversas particulares, nem que for atender o Papa querendo abençoar seu dia.

8 - Usar câmera fotográfica apenas com anuência do cliente (e com moderação, sem atrapalhar, caso receba autorização).
OBS: Lembrar que está prestando serviço, o cliente pode até ser seu amigo, mas quem está passarinhando é ele e não você. Isso vem sendo tema de recorrente reclamação entre alguns amigos. Já ouvi estórias escabrosas. Tem guia que sabe a hora que pode usar sua câmera sem prejuízo do cliente, outros não. Tem passarinheiros que não se importam, mas não faça por inferência, consulte o cliente sempre e se um do grupo não quiser, não parta do princípio que a maioria vence.

9 - Dar atenção para todos do grupo de forma equilibrada.
OBS: Nunca privilegiar uma das pessoas em detrimento do resto, mesmo que seja seu amigo de infância. Quer coisa mais chata do que ser preterido num grupo, ser deixado de lado, pra trás, ou ver o guia e um integrante do grupo lá na frente cochichando sabe se lá o quê.

10 - Estar atento às limitações e dificuldades de cada um, ajudando no que for possível.
OBS: Dispensa comentários

11 - Saber respeitar e se fazer respeitar.
OBS: Dispensa comentários

12 - Ser líder e auxiliar o grupo na hora da tomada de decisões.
OBS: Dispensa comentários

13 - Fazer um briefing à noite ou pela manhã antes de cada saída.
OBS: Dispensa comentários

14 - Ser pontual e exigir pontualidade do grupo.
OBS: Só atrasar e tolerar atraso se houver justificativa plausível. Se isso acontecer, procure esclarecer ao grupo o que aconteceu.

15 - Manter a calma e o bom-humor.
OBS: Mesmo se tiver vontade de estapear o fulaninho criador de casos. Coloque ele na sua black-list depois do fim da passarinhada, mas na hora não faça nada que possa se arrepender depois.

16 – Saber o nome popular e científico de cada bicho para que o cliente não fique boiando.
OBS: Eu tenho uma dificuldade enorme de guardar nomes científicos e fico possessa quando o guia aponta aquele estrupicinho pousado no fio dizendo, olha lá o Gampsonyx swainsonii, ao invés dizer, tem um gaviãozinho pousado ali. E lógico que o inverso deve existir também...eu apenas imagino, pois nunca viajei com um parceiro que só soubesse nome científico.

17 - Ajudar o grupo a manter silêncio quando necessário.
OBS: Coisa desagradável aqueles dois amigos que não param de contar causos, nem na hora que o guia está chamando a ave, e você faz um psiu pra eles pararem e eles te olham com vontade de te esganar. Acho que antes disso acontecer o guia tem que pedir silêncio, pedir que aguardem sem falar ou se movimentar, melhor, até sem respirar kkkkkkkkk

18 - Ser firme quando necessário, porém sempre com educação.
OBS: Dispensa comentários

19 - Controlar e posicionar o grupo de forma que todos obtenham as melhores fotos.
OBS: Evite que os mais afoitos se movimentem demais e espantem a ave, provocando mal estar no grupo.

20 - Colocar sempre o bem estar da ave em primeiro lugar.
OBS: Jamais abusar do playback, nem se o cliente solicitar de joelho.

21 - Jamais desrespeitar ninhos ou colocá-los em risco.
OBS: Nem que for só pro melhor amigo fazer "aquela" imagem.

22 - Manter e ajudar os clientes a manterem distâncias mínimas da ave.
OBS: Nunca tocá-la pra mostrar como ela é boazinha e é o bonzão do pedaço.

23 - Ter conhecimento de aves, bom ouvido e conhecimento do local.
OBS: Nunca perguntar ao cliente que ave é aquela, pra que lado é o caminho ou mentir sobre uma espécie que não sabe qual é.

24 - Saber o que fazer em caso de acidente com animais peçonhentos, ataque de animais, quedas, torções, fraturas, mal estar súbito, etc.
OBS: Ter sempre maleta de primeiro socorros ao alcance – não imaginei ao escrever esse item, que ia necessitar desse material logo em seguida. Num próximo post eu conto o que houve e porque tive que passar uma tarde numa UTI em observação.

25 - Fazer fotos do making of (mesmo com o celular).
OBS: É legal pro cliente e funciona como propaganda positiva - geralmente uso essas fotos no meu perfil ou aqui no blog quando faço o trip report.

26 - Somente postar aquela foto espetacular que tirou junto e igual a do cliente, após o mesmo postar.
OBS: Considerar um prazo razoável e na dúvida perguntar pro cliente se já pode postar.

27 - Sempre que possível fazer lista no e-Bird e compartilhar com o grupo.
OBS: Dispensa comentários.

28 - Nunca falar mal dos clientes ou de outro guia para quem quer que seja ou pelas redes sociais.
OBS: Já ouviram dizer que matos tem “óleos” e paredes tem ouvidos?

29 – Não confundir trabalho com amizade.
OBS: Jamais ficar achando que o cliente é como se fosse seu melhor amigo e por isso tem obrigação de te contratar em todas as viagens que ele fizer.

30 - Praticar os bons princípios da Ética, bem como o contido no Código de Ética dos Observadores de Aves.
OBS: Não apenas no discurso.

E por fim o princípio mais importante no ser humano...


Bom, acho que disse um bocado. Por fim vou finalizar com uma frase que enviei pra uma amiga outro dia:

"As estradas são curtas demais para o nosso desejo de explorar o mundo. Temos muito chão pela frente. E muitos passarinhos lindos para nossos olhos e lentes se deslumbrarem. Que os bons ventos nos levem."