sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Espírito Santo - 1º Birding Photo Challenge


O verdadeiro espírito birdwatching (foto Léo Merçon)

Nem tudo são flores na observação de aves, ainda mais quando o evento é competitivo. Só que não. Quando fui convidada pelo Gustavo Magnago para participar do 1º Birding Photo Challenge fiquei com muita vontade de ir, mas fiquei logo imaginando como seria isso na prática.

Eu sou daquelas que “adora” uma competição - bem longe de mim. Embora eu adore me superar, superar meus medos e barreiras e enfrentar desafios, não gosto de competir com outras pessoas.

A vida já é uma eterna competição pela sobrevivência. A gente já nasce competindo pelo carinho dos pais. Durante boa parte da nossa juventude passamos competindo pra vencer. No meu caso, joguei volei durante mais de 15 anos, atividade altamente competitiva e desgastante. As "migas" crescem juntas competindo pelos melhores "boys magias" do pedaço e vice-versa. (rs rs rs) Depois passamos anos e anos no trabalho. Particularmente a competição acirrada no trabalho quase me custou a vida (tive um AVCi por estresse e excesso de trabalho). Infelizmente poucas vezes nos ensinam que compartilhar é melhor do que competir.

 A decisão de não competir por mais nada me fez repensar o convite, mas apaixonada pelos “penosinhos” e pela observação de aves, sabendo que amigos tão queridos iriam participar, me fez aceitar o irrecusável pedido do meu amigo Gustavo. E melhor ainda por ser num lugar tão maravilhoso como a Reserva Natural Vale. Sendo assim, "boralá"encarar mais esse desafio.

Mas meu intuito era participar e levar a todos a importância da amizade, do companheirismo, do sentimento de união, e acima de tudo, levar ao “mundo” um pouco da importância das nossas aves e da preservação do meio ambiente.

E não foi diferente, durante o fim de semana pude constatar a importância que isso teria antes, durante e após o "dia D". Para conseguir atingir o objetivo proposto precisávamos contar um com o outro o tempo todo, fosse para "assobiar" ou usar um apito para chamar aves (era proibido "pleibecar"), tirar um galho da estrada, ver e apontar uma ave, substituir um auditor sonolento, auxiliar no tratamento e escolha da imagem do concorrente, até dividir uma cervejinha no final (rs rs rs). Solidariedade foi a palavra chave.

Juntos e unidos pudemos transpor diversos obstáculos, superar as dificuldades, nos apoiar mutuamente, rir muito das coisas mais bobas do mundo (como fazer xixi no mato, né Rayany?), compartilharmos nossas experiências e habilidades, tudo para alcançar nosso objetivo projetado.

Eu e Andrea nos aproximando da pararu-azul - foto by Gabriel Bonfá

Assim pudemos dividir os méritos das nossas conquistas. E a premiação final embora tenha pertencido a uma minoria participante, eu entendo que todos saímos ganhadores. Fiquei muito feliz que o meu "rabito-leque" ganhou menção honrosa. Confesso que a foto foi feita sem querer. Saiu na hora do clic-clic-clic 10/s da câmera.

um vissiá (Rhytipterna simplex) saindo do poleiro

Ganhamos novos amigos, novas experiências, enfim, um final de semana inesquecível. Só teve um momento triste, a despedida. Mas eu afirmo e quero que essa despedida tenha apenas plantado o desejo do reencontro.


Eu e Andrea "competindo" pela comida - foto by Gustavo Magnago

No mais só posso agradecer a todos, TODOS mesmo, participantes diretos, organizadores e colaboradores diversos, seja a equipe da cozinha, da segurança e até os simpáticos hóspedes que após saciarem sua curiosidade, ao cruzarem comigo vestida de fiscal do IBAMA, me desejavam boas fotos e boa sorte. Aproveito para agradecer a companhia dos amigos Claudia Brasileiro e Rodrigo Agostinho por estarem lá e me aguardarem chegar do mato com uma geladinha pra mim.

Rodrigo, Claudia, Guto e eu 
Dá para ficar horas aqui contando histórias, mas essas eu conto quando estiver num barzinho com os amigos. 

Aproveite para curtir um pouco as fotos feitas pelos participantes e organizadores que coloquei nesse foto-vídeo.  


CRÉDITOS 
Edição do vídeo: Silvia Linhares
Fotos do vídeo: Silvia Linhares, Rayany Soeiro, Léo Merçon, Gabriel Bonfá, Gil Peres, Jardel, Justiniano Magnago, Gustavo Magnago, Andrea Faria e Jackeceli Rizzo (desculpe se esqueci alguém)
Música: BlackBird (BlackFlamingo)

Saiba o que foi o evento:

O 1º BIRDING PHOTO CHALLENGE foi realizado no período de 17 a 19 de Novembro de 2017 na Reserva Natural Vale em Linhares/ES

A Vale mantem em Linhares, região norte do Espírito Santo, há 60 anos, a Reserva Natural Vale. No local podem ser encontradas quase 400 espécies de aves, algumas até ameaçadas de extinção. É um local propício para a prática da atividade de Observação de Aves. No segmento do turismo de natureza, a observação de aves é que mais chama a atenção e se destaca por ser uma atividade de recreação ao ar livre, economicamente viável, educacional e compatível com a preservação ambiental.

O *Birding Photo Challenge* foi uma competição entre fotógrafos que disputaram por fazer a melhor fotografia de ave ao longo de um dia inteiro de campo. Só podiam ser apresentadas fotos realizadas no dia da competição. Como tratou-se de um projeto experimental, o evento foi fechado para convidados com a participação de um grupo seleto da observadores de aves do ES e de outros estados.

Os fotógrafos percorreram a Reserva Natural Vale utilizando um veículo disponibilizado pelo evento. As fotos foram escolhidas por jurados e as três melhores, receberam troféus. Foi um momento de interação entre observadores que estiveram em meio a uma das áreas mais preservadas do bioma Mata Atlântica.

Eu confesso que fiquei surpresa com o nível de organização do evento. Parabenizo a todos e desejo que ele se repita todos os anos e em mais UCs do país.

Saibam quem foi quem:

Organização: 
Gustavo Magnago; Marcio Santos Ferreira; Jackeceli Nunes Falqueto Rizzo; Rayany Soeiro; Henriqueta Pinheiro; Marta Moreira; Letícia Belgi Bissoli Magnago; Tainá Uliana Modolo

Jurados (Convidados)
Guto Carvalho; Dolores Colle; Léo Merçon; Cap. Fabrício (PMA)

Auditores:
 
Jardel Rezende; Justiniano Magnago; Brener Fabres; Paolo Rocha; Jackeceli Nunes Falqueto Rizzo; Rayany Soeiro

Participantes: 
Paulo José; Carlos Hartur Ribeiro Noia; Filipe Pacheco Ventura; LeopoIdo Plvovar PIotecya; Werles Tragino; João Alberto Maia Linhares; Andrea Faria Santos; Gabriel Bonfa; Silvia Faustino Linhares; Jacques Passamani; Roberto De Oliveira Silva; Gil Ribeiro Péres; Giuberto Antonio Gabriel; Leodério Velten; Aureo Guaitolini; Otávio Dalvi; José Dioenis Matiello

Foto by Leo Merçon
Brener, Jardel, Justiniano,  Cap. Fabrício, Márcio, Henriqueta, Guto, Letícia, Leo, Dolores, Rayany, Jackeceli, Paolo, Tainá e Gustavo - Foto by Silvia Linhares

Gil, Áureo, Giuberto e Paolo - Foto by Leo Merçon
João, Werles, Leopoldo e Jackeceli - Foto by Leo Merçon

Leoderio, Brener e Roberto - Foto by Leo Merçon

 Dioenis, Justiniano, Jacques e Otávio - Foto by Leo Merçon

Gabriel, Andrea, Silvia (eu) e Rayany - Foto by Leo Merçon

Carlos Hartur, Paulo, Filipe e Jardel - Foto by Leo Merçon

Pará - Expedição mãe-de-taoca-arlequim

Em construção - aguarde

domingo, 1 de outubro de 2017

Acre - O Império das aves cascudas e a Expedição Choca-do-acre – Parte I

Se você não gosta de "textão", melhor fechar essa página ou deixar pra ver outra hora. Mas se tem curiosidade para saber como foi essa expedição, então, “senta, que lá vem história”. Foram mais de 11 mil fotos pra escolher e tratar, em menos de 15 dias escrevi 20 páginas e fiz alguns vídeos. Dividi em duas partes (parte II aqui) para facilitar. Viaje comigo a partir de agora. E deixe seu comentário no final, vou apreciar muito!!!

O Estado do Acre está localizado no extremo oeste do Brasil, em uma área de transição entre a Cordilheira andina e as terras baixas amazônicas. Das 1.300 espécies de aves existentes na Amazônia, já passam de 700 as registradas no Acre. A tendência é aumentar, pois muitas ainda estão em estudo, aguardando apenas a confirmação pelos ornitólogos competentes pra isso.
 
Acre - O Império das aves cascudas
Porque chamo as aves de “cascudas”? Ave cascuda é o jeito que a grande amiga Vanilce Carvalho, de Manaus, descreve aquele tipo de ave difícil de registrar, seja pela sua raridade, seja pelas dificuldades que o ambiente apresenta ou mesmo pelo comportamento da própria ave.

E o Acre sai na frente disparado no “quesito ave cascuda”. Os ambientes que as encontramos são os mais inóspitos do país. Por essa e outras o Acre “está na moda”, dizem os amigos passarinheiros. Talvez por se tratar de lugar pouco explorado, com novas espécies ainda sendo descobertas, o poder atrativo da região só aumenta.

Sem contar as belas espécies, endêmicas ou não, que habitam ambientes como as espinhosas tabocas (*), as florestas ombrófilas densas ou abertas ou as campinas/campinaranas.

Fiz algumas pesquisas na minha bolinha de cristal (que recebe carinhosamente o nome de google.com) e encontrei definições interessantes para taboca. *"Taboca é o nome popular (oriundo do tupi) do bambu (Guadua weberbaueri), também conhecida como taquara. Os tabocais localizados no sudoeste da Amazônia são considerados a maior reserva de bambus nativos do mundo. Trata-se de uma gramínea de porte arbóreo que se caracteriza por sua rusticidade e elevada capacidade de produção de massa renovável. Seu uso ainda é muito restrito e desconhecido, sendo considerada uma planta daninha de difícil erradicação, um estorvo à abertura de novas áreas para o cultivo, pois forma um emaranhado com a presença de muitos espinhos, dificultando o acesso". E eu que achava que gramínea era aquele matinho dos estádios de futebol - kkkkkkkk 😀😃😄😁😆😅😂🤣

Nem sempre os espinhos que aparecem em nossas vidas são para nos machucar. Alguns guardam tesouros alados, como os tabocais do Acre.
 
Olha aí, um espinho pronto pra te agarrar.

Entendo que é por causa dos espinhos e emaranhados que é o ambiente preferido das aves cascudas, pois podem assim se proteger melhor dos predadores, inclusive humanos. Mas elas podiam facilitar para os fotógrafos de aves e colaborar um pouquinho na hora da foto, uma vez que nem a nossa cabeça, nem chapéu, pernas, ombros, braços, camisas ou calças, nada se salva dos afiados espinhos das tabocas.

Acre - O Império das aves cascudas e a Expedição Choca-do-acre – Parte II

O Parque Nacional da Serra do Divisor é uma unidade de conservação brasileira de proteção integral da natureza. Criado através do decreto Nº 97.839 em 16/06/89, situa-se no extremo oeste do Acre, na fronteira com o Peru. É o ponto mais Ocidental do país e abrange os municípios de Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo e Rodrigues Alves.

É considerado o local de maior biodiversidade da Amazônia. A floresta tropical aberta é o tipo de vegetação predominante e seguramente a mais preservada da Amazônia brasileira. Várias espécies endêmicas vegetais e animais são encontradas devidas, em parte, à sua proximidade com o ecossistema andino, numa região de transição das terras baixas da Amazônia e as montanhas dos Andes. Possui uma área de 843.000 hectares, sendo o quarto maior parque nacional brasileiro. É administrado pelo ICMBio. Grande parte de seu território ainda é preservado e faço votos que continue assim.

a famosa choca-do-acre (Thamnophilus divisorius), que deu o nome a nossa expedição

A origem do nome vem do relevo (geografia) da região onde se encontra um divisor natural das águas das bacias hidrográficas do rio Ucayali (Peru) e rio Juruá (Brasil). Na região também são encontrados valiosos vestígios fósseis. O rio Juruá nasce no Peru e banha os estados do Acre e Amazonas, no Brasil. Deságua no rio Solimões, em um percurso de aproximadamente 3 000 quilômetros.

Abriga comunidades indígenas e ribeirinhas, por isso é de grande importância para a região, servindo como hidrovia para essas diversas comunidades, já que rodovias são inexistentes na maior parte de seu curso. O rio Moa é um afluente do rio Juruá, possui muitas cachoeiras e corredeiras. A Serra do Divisor é a única cadeia de montanhas acreanas.

Convido você a assistir esse vídeo do Governo do Acre sobre a Serra do Divisor. O uso do drone nas imagens nos mostra uma dimensão difícil de se ver "in loco". (imagens e edição – Pedro Devani/ Secom/Governo AC). 


Vamos seguir com o relato. Se você leu a parte I deste relato, já sabe tudo que antecedeu nossa viagem e como chegamos até aqui. Se não leu eu recomendo clique aqui antes de prosseguir.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Expedição "Mãe-de-taoca". Os encantos da floresta amazônica.


mãe-de-taoca-de-cauda-barrada (Gymnopithys salvini
É preciso muita disposição, inspiração e dados para montar um bom e agradável relato de viagem para postar no bloguinho. Sou muito exigente e para postar mal feito prefiro não postar. Porém nem sempre a gente consegue conciliar disposição com inspiração.  Antecedendo essa última ida para Manaus, lembro exatamente como eu estava: ansiosa, chateada com alguns fatos pessoais na minha vida e sofrendo com a abstinência de passarinhada. 

Porém, durante e após a viagem é que eu tive a noção do tanto que é importante para mim fazer uma bela e feliz passarinhada. Sim, minha alma necessita dos encantos e sonhos que só as florestas e seus rios podem proporcionar. Além do que, estar entre bons amigos é essencial e faz muito bem para a saúde.

Passarinhar é bom demais, cura todos os males, inclusive dores de amor, dores de cotovelo, da coluna, dos joelhos e até dor de barriga rs rs rs. Ver passarinhos engrandece a alma!  
Passarinhe sem moderação!!! 🐧🐦🐤🐥🦆🦅🦉

Essa viagem foi idealizada e planejada para eu ir sozinha devido às espécies ainda não vistas serem difíceis demais, o que demandaria roteiros complicados e bem específicos. Mas que graça tem se uma viagem não for recheada de alegrias, muitos risos, dividida com os verdadeiros amigos? Sorte minha que a amiga Viviane de Luccia resolveu aceitar meu convite. Ela é uma super companheira, sempre alegre e bem-disposta. Eita, que assim que é bom. Esta foi minha terceira viagem ao Amazonas, sempre guiada pela Vanilce e/ou Luiz Fernando, (veja relato da última aqui 📌). Lembrando que em outros momentos também adentrei terras amazônicas, como quando fui à Rondônia em expedição organizada pelo amigo Bruno Rennó (relato aqui 📌).

Vou tentar ser menos metódica e prolixa, mas não prometo nada. Tentarei mencionar tudo o que eu achar relevante nessa deliciosa expedição nominada “Mãe-de-taoca”. Você deve estar se perguntando que nome é esse...para quem não passarinha difícil entender mesmo. São 11 espécies aves que ocorrem no Brasil e levam esse nome, em decorrência de sua associação com as formigas de correição ou taocas. Formiga-correição, tauoca, tanoca ou taoca é a designação comum a cerca de 200 espécies formigas carnívoras, notórias por organizarem expedições periódicas de milhares de indivíduos. Não constroem colônias e têm um modo de vida em constante movimento. Algumas aves seguem regularmente essas expedições, aproveitando os insetos e outros pequenos animais que tentam escapar do ataque das formigas. (Wikipedia)

É uma mais linda que a outra e todas de difícil registro, por isso fazem parte do sonho de consumo ornitológico de qualquer passarinheiro. Até hoje só consegui registrar duas delas, uma nessa viagem, e outra em Rondônia. São elas: mãe-de-taoca, mãe-de-taoca-dourada, mãe-de-taoca-avermelhada, mãe-de-taoca-bochechuda, mãe-de-taoca-de-garganta-vermelha, mãe-de-taoca-de-cauda-barrada, mãe-de-taoca-de-cara-branca, mãe-de-taoca-arlequim, mãe-de-taoca-papuda, mãe-de-taoca-cristada e mãe-de-taoca-cabeçuda.

As 11 mães-de-taoca

Foram nove dias de expedição. Acordávamos em torno de 4:00h da manhã e saíamos sempre em busca das aves mais difíceis sem menosprezar as mais comuns que cruzavam nosso caminho. Afinal, metade das espécies do Brasil podem ser encontradas no Estado do Amazonas.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eu quero passarinhar!!!! Usando o método 5W3H


Há tempos atrás recebi uma demanda para falar no Avistar Brasil sobre o Quero Passarinhar, grupo no Facebook que congrega pessoas que gostam de fotografar/observar aves livres na natureza. Este ano, ao me decidir falar, resolvi dar um formato diferente ao tema e falar um pouco de como eu me decido, onde, quando e como passarinhar. Como não consegui gravar a palestra, atendendo a pedidos, vou relatar aqui no blog um pouco de como foi, usando inclusive algumas telas da apresentação e incrementando um pouco mais.

Durante minha vida profissional eu tive treinamento pra implantação de programas da Qualidade Total e um desses métodos eu incorporei na minha vida, inclusive nas minhas viagens. É o método 5W3H, eram 2H apenas, agora são 3 . Ao longo desse texto, você poderá ver como de alguma forma todas as perguntas da metodologia são respondidas.

WHAT? – O QUE (ETAPAS)
WHY? – POR QUE (JUSTIFICATIVA)
WHERE? – ONDE (LOCAL)
WHEN? – QUANDO (TEMPO)
WHO? – POR QUEM (RESPONSABILIDADE)
HOW? – COMO (MÉTODO)
HOW MANY? QUANTOS (QUANTIDADE)
HOW MUCH? – QUANTO CUSTARÁ (CUSTO)

Ser mulher e eleger o mato como lugar preferido pra estar a maior parte do tempo causa espanto em quem é mais ligado à vida das grandes cidades. Alguns amigos meus me questionam se não sinto medo, receio de ficar doente em lugares remotos, se não é tedioso, se não sinto falta de umas férias numa praia lotada de gente bonita, de ir ao teatro e ao cinema. A resposta é NÃO! Não mesmo. Não que eu não goste de viver na cidade, mas, sem dúvida, prefiro a paz que as passarinhadas me proporcionam, mesmo abrindo mão da minha própria elegância, da conveniência dos shoppings center, dos restaurantes e bares da moda e do conforto do meu próprio lar.


As duas próximas imagens mostram um pouco dos momentos mais felizes e inusitados da minha vida nos últimos tempos. A partir delas vou explicar como faço pra aumentar meus níveis de dopamina* durante uma viagem.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O espírito pioneiro é o que nos une sob o feitiço da ... Patagônia!!!!!

Eu gosto de viajar. Sair da minha rotina cotidiana é fundamental para eu não "entrar em parafuso". Além de me manter estável emocionalmente, viajar leva minha alma a um mundo novo. Novas experiências vão se descortinando frente aos meus olhos. É viver um sonho acordada...e sonhar é delicioso, como eu disse a uma amiga outro dia: sonhar é flutuar nas mãos do destino. Ao postar uma foto outro dia, resumi meu pensamento assim: "Sonho ao olhar o horizonte! Penso na aventura e desventura de procurar dentro dos meus sonhos quem eu sou verdadeiramente. Faço uma reflexão filosófica e de autoconhecimento. Em pensamento, tomo resoluções. Sou um ser "desejante". Quero muito colocar em prática tudo que meus pensamentos arquitetam. E assim eu levo a vida, ou será que é ela quem me leva?



Sim, é ela quem me leva ... e a muitos lugares. Porém há lugares especiais. Há um lugar que nos conecta, integra e unifica com a natureza, nos desvincula das nossas percepções sem distorcer o funcionamento da realidade. Esse lugar se chama ... Patagônia.

Assistindo alguns documentários no Canal BBC Earth sobre vida selvagem, deparei-me com três episódios chamados Wild Patagônia, com imagens maravilhosas, cujo texto inicial, dizia assim: "Em algum lugar remoto do planeta há uma selva sul-americana. Nessas paisagens extremas habitam animais estranhos e maravilhosos. Dos picos das Cordilheiras dos Andes, passando pela estepe seca e deserta até litorais banhados por águas que estão entre as mais violentas do mundo. Viver aqui exige coragem e determinação. Há oportunidades incríveis para alguns. Para outros é batalha pela sobrevivência. O espírito pioneiro é o que os une sob o feitiço da ... Patagônia". E esses episódios passaram a povoar meu imaginário desde então...