sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Parque Estadual Intervales

Vou começar falando um pouquinho do Parque e se alguém quiser mais informações, deixo links no final para que possam ser obtidas facilmente. Os pulmões do Estado de São Paulo ficam a 270 km da capital e recebem o nome de Parque Estadual Intervales.

Sobre o Parque Estadual Intervales

O Parque Estadual Intervales localiza-se no sul do Estado de São Paulo, entre os municípios de Ribeirão Grande, Guapiara, Sete Barras, Eldorado e Iporanga. Juntamente com o Parque Estadual Carlos Botelho, a Estação Ecológica do Xitué e o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) constituem a maior área contínua de mata atlântica do Brasil. A denominação Intervales possui o significado de “entre os vales”, correspondendo aos rios Ribeira de Iguape e Paranapanema.

Predomina a Mata Atlântica, Florestas Ombrófila Densa, Ombrófila Mista e Estacional Semidecidual. O Parque localiza-se no município de Ribeirão Grande SP. O melhor roteiro para chegar ao parque tem início na Rodovia Castelo Branco - SP 280, que deve ser percorrida até o km 129. Nesse ponto, entrar no acesso para Tatuí, seguindo pela SP 127 até Capão Bonito e, depois, pela SP 181 até Ribeirão Grande. A partir daí, percorrem-se 25 km por estrada de terra bem conservada até a entrada do Parque. Fica a 270 km de São Paulo.

Parque
Eu fui com um grupo especificamente para observar aves, constituído pelo guia birdwatching Rafael Fortes, pelas amigas Rosemarí Júlio, Hideko Helena Okita, e pelos novos amigos Flávio Sakae, André Silva, Kleber Silveira e Luiz Augusto.
Parte do grupo na trilha
Eu por Rosemarí Julio
O que fazer por lá


O Parque é um dos pioneiros na implantação de visitação ordenada e controlada no Estado de São Paulo. Intervales tem várias atrações. Os visitantes podem fazer simplesmente uma pequena caminhada na beira de um lago, a chamada trilha auto guiada, que os levará a admirar o castelo de pedras, a capela de Santo Inácio, a espia, casa do artesão, entre outros atrativos que poderão ser visualizados, ou se aventurar por cavernas, grutas e cachoeiras, escolhendo entre mais de vinte trilhas monitoradas em meio à exuberante Mata Atlântica.(ROSANA ALAPONE/ ANGELA SAVOLDI)

Percorrer trilhas dentro do Parque ocorre de duas formas, algumas são auto guiadas e outras, as chamadas monitoradas, necessitarão obrigatoriamente de um guia local.

Os monitores que acompanham os frequentadores constituem uma atração à parte. Eles são da própria região e possuem um grande conhecimento prático sobre a fauna e a flora locais. Alguns são procurados com grande antecedência por pesquisadores e observadores de aves de outros países devido à grande facilidade para encontrar e identificar espécimes raros. Nós fomos acompanhados pelo Betinho, uma pessoa muito especial, ele é muito calmo e atencioso. Eu ainda conheci "en passant" o Faustino e o Luiz.

Rafael Fortes, Betinho e Rosemarí
Onde e como se hospedar no Parque

O Parque possui pousadas próprias e todas dentro de sua área, podendo proporcionar estadia próxima à natureza e pequenos deslocamentos no seu passeio. Para saber mais, entre em contato com a administração, através dos telefones (15) 3542-1511 e 3542-1245 (Dias e horário de funcionamento: Diariamente das 8h às 17h).

Não espere luxo, não são propriamente pousadas como estamos acostumados. Porém, é melhor que muitas pousadas tradicionais que já estive. Tudo é muito limpinho, organizado e funcional. Com roupa de cama e banho. Possui suítes ou quartos com banheiros conjugados. O preço varia conforme o quarto. No nosso caso, o valor estipulado pelo Rafael incluía a hospedagem, os guias (ele e o Betinho) e a alimentação. Como o restaurante do Parque está temporariamente desativado e em processo de licitação, fizemos nossas refeições a poucos quilômetros dali, numa vila, onde os simpáticos donos (Jairo e esposa) tão bem nos atenderam. A pousada possui microondas e geladeira, pia (não lembro se tinha fogão), então dá até para levar algumas comidinhas e se virar. Mas vamos torcer para que o processo licitatório seja concluído em breve e quem sabe o Jairo e esposa sejam os vencedores, para que desfrutemos das gostosas comidinhas que ele preparam para os turistas.

As aves de Intervales

Eu fui com a amiga Rosemarí na sexta pela manhã. Fomos devagar, papeando, parando para gravar algum som legal, ou fazer uma bonita foto. Chegando lá, o Rafael e o pessoal estavam em trilha, mas não sabíamos qual. Ficamos passeando ao redor da pousada. Vimos alguns taperuçus, bem-te-vis e tico-ticos, etc. De repente encontramos alguns amigos que estavam lá também (Adilson e Mara Dias e Lindolfo e esposa). Eles nos falaram que haviam acabado de cruzar com o Rafael e o restante do grupo (Hideko, André Silva, Flavio Takeo, Kleber e Luiz Augusto) na sede do parque.

Fomos para lá a tempo de o Betinho e o Rafa nos conduzir até o casal de Sanã-vermelha (Laterallus leucopyrrhus). Coisa mais linda do mundo. Nos arredores também vimos o Suiriri-pequeno (Satrapa icterophrys).

Sanã-vermelha (Laterallus leucopyrrhus)
Em uma rápida passagem pela pousada Esquilo, onde estávamos, fotografamos dois Jacuaçus (Penelope obscura). E depois num comedouro de uma pousada vizinha, vimos alguns sanhaçus e tico-ticos, mas o que roubou a cena mesmo foi uma matilha de cachorro do mato vindo comer bananas próximo ao comedouro.
Cachorro do mato
Após o jantar, lá fomos nós ver se encontrávamos o Bacurau-tesoura-gigante (Macropsalis creagra). Pimba, lá estava ele onde o Rafael disse que estaria. Ele não parava muito quieto, então ficamos bastante tempo entre aguardar ele ir e voltar. Não consegui uma foto dele em voo como gostaria. Mas olha, você não imagina como ele é bonito com sua longa cauda levantando do chão. Em seguida voltamos para perto da pousada e tentamos algumas corujas, mas nenhuma respondeu.

Bacurau-tesoura-gigante (Macropsalis creagra)
Fomos dormir, pois tínhamos que acordar às 4:30h da madruga. Até pegar no sono foi aquela farra com a Rosemarí e a Hideko contando histórias engraçadas da recente excursão ao Peru que elas fizeram.

Diferente de muitos locais que fui, onde o desjejum é servido depois das 6:30h, o Jairo nos serviu um farto café da manhã em torno de 5 e pouco da manhã, o que nos permitiu voltar a tempo de fazer lindas fotos do Pavó (Pyroderus scutatus) na entrada do Parque. Ele não é arredio como em outros lugares e propiciou a foto mais bonita que já fiz dele até hoje.

Pavó (Pyroderus scutatus)
Em seguida pegamos a trilha do Carmo. Dia nublado, frio, mata silenciosa e sem muitas aves. O primeiro a me dar muita alegria foi o macuru-de-barriga-castanha (Notharchus swainsoni). Bem pequenino no alto de um galho. De repente um barulho muito louco, eram as Jacutingas (Aburria jacutinga). É difícil até descrever. Eu me arrependi de não ter gravado o som...Era uma ave que estava na minha lista dos sonhos. Ainda avistamos nesta trilha Maria-cabeçuda (Ramphotrigon megacephalum), Tapaculo-preto (Scytalopus speluncae), Borralhara (Mackenziaena severa), Pomba-amargosa (Patagioenas plumbea), Viuvinha (Colonia colonus) e o bonitão do Corocochó (Carpornis cucullata).

Jacutinga (Aburria jacutinga)
E lá fomos nós procurando aves, uma baita descidona, só imaginava como seria a subida de volta. Descemos até uma cachoeira, onde pudemos registrar de perto, sem incomodar, é lógico, uma fêmea de Taperuçu-preto (Cypseloides fumigatus) no ninho. Na trilha, avistamos, ainda Sanhaçu-pardo (Orchesticus abeillei), Bem-te-vi-pequeno (Conopias trivirgatus), Barbudo-rajado (Malacoptila striata) e Miudinho (Myiornis auricularis).
Taperuçu-preto (Cypseloides fumigatus)
Depois do almoço e um breve descanso fomos em busca da tão sonhada Maria-leque-do-sudeste (Onychorhynchus swainsoni). Primeiro fotografei o ninho, mas nada dela dar o ar da graça. O Betinho rodeou o local e nada. Eu já estava conformada que não iria vê-la. De repente, com sua costumeira calma e voz quase inaudível, o Betinho aponta o macho no limpo. Não consegui “aquela foto de capa de revista”, mas foi um registro emocionante.
Maria-leque-do-sudeste (Onychorhynchus swainsoni)
Logo depois nos dirigimos a um local onde seria possível fotografar o Beija-flor-de-topete (Stephanoxis lalandi) e o Rabo-branco-pequeno (Phaethornis squalidus). Foi uma verdadeira festa para os olhos e lentes. Eu não me cansava de ficar rodeando os arbustos para conseguir uma foto ainda mais bacana. E de brinde alguns Surucuás-variados (Trogon surrucura) fizeram muitas poses para o grupo. O Peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus) deixou todo mundo magoado. Respondeu, apareceu, parou num galho atrás de uma folha e quando íamos fotografá-lo, se mandou e não voltou mais. Passarinho é assim, aparece e dá moleza quando quer. Fotografar uma ave difícil, não é só questão de habilidade. É um conjunto de fatores que incluem, habilidade do guia, concentração do grupo, oportunidade e sorte, lógico. Mas ele que me aguarde, ainda o transformo em capa do meu livro.
Beija-flor-de-topete (Stephanoxis lalandi)
Rabo-branco-pequeno (Phaethornis squalidus)
Surucuás-variados (Trogon surrucura)
Paramos num local bastante promissor em busca da Tesourinha-da-mata (Phibalura flavirostris). O local é bem aberto e abriga uma estação de pesquisa. Neste local avistamos a Peitica (Empidonomus varius), Viuvinha (Colonia colonus), Tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula), Caneleiro-de-chapéu-preto (Pachyramphus validus) e Irré (Myiarchus swainsoni). Mas a Tesourinha-da-mata nem sinal. Vai me fazer voltar lá.

Ao voltarmos para a sede, ao redor das pousadas fotografamos um casal de Saí-de-pernas-pretas (Dacnis nigripes), Tico-tico-da-taquara (Poospiza cabanisi), Tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula), João-de-barro (Furnarius rufus), sabiá-poca (Turdus amaurochalinus), Filipe (Myiophobus fasciatus) e alguns Sanhaçu-frade (Stephanophorus diadematus).

Tico-tico-da-taquara (Poospiza cabanisi)
Á noite fomos corujar de novo. A noite estava linda, clara, quente, sem vento, propícia às corujas, mas o “céu não estava para corujas”. Apenas a  Corujinha-do-mato (Megascops choliba), apesar de ter dado um trabalhão, indo de um lado para o outro, apareceu para as fotos. A Coruja-listrada (Strix hylophila) respondeu muito perto, mas não fez a alegria da moçada. Um Bacurau-ocelado (Nyctiphrynus ocellatus) cantou a poucos metros, mas não quis nem saber da gente.

Corujinha-do-mato (Megascops choliba)
De banho tomado, já sob as cobertas, me sai a Hideko do banho e grita: -Bingo, consegui!!!!! A Rosemarí e eu ficamos curiosas. Ela então revelou: pegou seu primeiro carrapato. Ai! Pulei da cama e fui me vistoriar de cima a baixo, nenhum...a Rosemarí pegou um. Os meninos também. Conclusão: meu sangue deve ser tão ruim, que nem os carrapatos querem se grudar em mim...rs rs rs

No domingo, saímos após o café e de cara um filhotão de Tauató-pintado (Accipiter poliogaster) inaugurou o dia, apesar de encontrar-se em local de difícil focalização. O dia que começara cinza, deixou que o sol o invadisse e com um céu azul, iluminou o rapinante de forma muito especial. Barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus), Choquinha-de-peito-pintado (Dysithamnus stictothorax), Sabiá-uma (Turdus flavipes) com a sombra do Gavião-tesoura (Elanoides forficatus) por cima, Arapaçu-liso (Dendrocincla turdina), Limpa-folha-de-testa-baia (Philydor rufum), Maitaca-verde (pionus maximiliani), Tapaculo-pintado (Psilorhamphus guttatus), Macuru (Nonnula rubecula) e um Tangará (Chiroxiphia caudata) com a boca suja de frutinha.

Pena que a Choquinha-de-garganta-pintada (Myrmotherula gularis) mais uma vez me deixou chupando o dedo.

Tauató-pintado (Accipiter poliogaster)
Barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus)
Encontramos no caminho a Renata Biancalana, bióloga e colega do CEO. Ela está fazendo a conclusão de um trabalho bacana sobre a família Apodidae.

Já de volta à Pousada, colocamos banana no comedouro e um casal de Saíra-preciosa (Tangara preciosa) esfomeado não se fez de rogado. Com essa espécie fechamos o fim de semana com chave de ouro. Ficou aquela sensação de “preciso voltar logo”.

Saíra-preciosa (Tangara preciosa)
Agora esse episódio merece destaque. Todos os dias ao passarmos pela entrada do Parque, um casal de quero-queros fazia um estardalhaço, e ninguém parou para fotografar os exibidos. Falei que ia fazer isso no último dia e esqueci. Então aqui fica meu recado: por favor, fotografem o pobre dos quero-queros, se não eles vão acabar precisando de terapia por tanta rejeição e desprezo.

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Mais informações clique num desses links:

http://www.geografia.fflch.usp.br/mapas/Atlas_Intervales/oparque.html
http://www.ambiente.sp.gov.br/parque-intervales/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Estadual_Intervales

2 comentários:

  1. Que beleza de relato! Está nos meus planos conhecer Intervales em 2014!

    Obrigado pelas valiosas dicas Silvia!

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