quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira - PETAR, o melhor da mata atlântica no Estado de São Paulo

Logo que cheguei em São Paulo para morar em 2003, pesquisei locais para passear com o maridão. Um dos lugares que me pareceu interessante foi o PETAR.
Beleza da mata atlântica

"O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) localiza-se no sul do estado de São Paulo, entre os municípios de Apiaí e Iporanga. Ele possui uma das maiores extensões preservadas de Mata Atlântica original, além de ter uma das maiores concentrações de cavernas do planeta (mais de 350) e uma imensa quantidade de cachoeiras. O PETAR possui aproximadamente 36.000 hectares, cobertos por uma dos últimos remanescentes da Mata Atlântica no estado de São Paulo. Suas montanhas, vales, cachoeiras, rios de águas cristalinas, cavernas, fauna e flora exuberantes tornaram o PETAR um ponto muito importante para o ecoturismo brasileiro.

Junior PETAR
O PETAR está a 320 km da cidade de São Paulo - SP, no sul do estado de São Paulo bem próximo da fronteira com o Paraná nos municípios de Iporanga (75%) e Apiaí (25%). O acesso ao PETAR pode ser feito pela BR-116 (São Paulo - Curitiba) saindo desta à direita na cidade de Jacupiranga ou pela estrada que liga a rodovia Castelo Branco a Apiaí." (wikipedia)

Nunca deu certo do meu marido e eu irmos conhecer as famosas cavernas da região de Iporanga/SP. Algum tempo depois de eu iniciar na área da fotografia e conhecer o amigo Carlos Eduardo Godoy, ouvi dele maravilhas sobre o PETAR.  

No início de junho deste ano, os amigos do CEO fizeram uma excursão prá lá, com vistas a registrar a avifauna do local. Eu não pude participar, mas acompanhei as histórias da viagem e sei que foi um sucesso, apesar de muito frio e chuva.
Junior, Adilson, Eu, Godoy e André
O tempo passou e no mês passado, o Junior (também do CEO) postou no facebook fotos fantásticas de um ninho de gavião-de-penacho lá em Iporanga. Fiquei cheia de vontade de ir ver. Convidei alguns amigos. Alguns não puderam e vai de lá, vai de cá, eu, o Adilson Amaral, André Ricardo e o Carlos Godoy resolvemos ir.

Confirmamos a disponibilidade com o Junior, qué é guia no PETAR (Parque Aventuras) e proprietário da pousada mais antiga e famosa de lá: a Pousada da Diva. O Junior tornou-se birdwatching a pouco tempo, não tem muita experiência ainda, mas sabe locomover-se por todo o PETAR e o principal, onde as aves costumam ficar.
Eu, by Carlos Godoy
Conhece como ninguém as trilhas, as estradas, bem como as Normas de visitação e os cuidados que se deve ter para andar por lá. Esse conhecimento é muito importante para manter a segurança de qualquer grupo.

Sexta-feira - 30/11/2012

Marcamos com o Adilson sair às 20h da minha casa. Por conta do trânsito caótico de São Paulo, ele chegou por volta de 20:40h. Descemos direto pela Av. Rebouças até chegarmos na Rodovia Regis Bittencourt. Paramos para comer por volta de 22:30h (eu acho que ficamos uns 50 minutos). Pegamos alguns trechos sobrecarregados de trânsito de caminhões, mas no trecho duplicado, o percurso foi tranquilo. Ao chegarmos no trecho que passa por Miracatu, a chamada Serra do Cafezal, o trânsito empacou...20 km andando a 20 km/h. Parecia que não acabava nunca, e nossa previsão de chegar na pousada entre meia noite e uma hora foi para o espaço.
Pousada da Diva
Já entrando madrugada adentro, em Jacupiranga dobramos à direita e pegamos uma estrada secundária que nos levaria à Iporanga. A estrada era asfaltada, estreita, margeava o rio, tinha alguns buracos, sem movimento e rapidamente chegamos na pequena cidade. Faltavam 13 km de terra até a pousada que fica no Bairro da Serra. Ainda bem que o Godoy conhecia bem o caminho, pois não tinha uma viva alma, para indicar por onde ir.

Quase 4 horas da manhã chegamos na Pousada. A pousada é bem simples. Não espere luxo. Mal colocamos a bagagem nos quartos, apagamos de cansaço.

Sábado - 01/12/2012

Já com a manhã comprometida devido ao horário da chegada, acordamos mais tarde, tomamos café e fomos alcançar o nosso primeiro objetivo: fotografar o gavião-de-penacho.
O ninho do Gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) - Ornate Hawk-Eagle
O ninho fica em uma propriedade particular e os donos - gente simples da terra - nenhum pouco bobos, estão cobrando R$ 50,00 por pessoa para ir até o ninho. Fazer o quê né? Fizeram um pequeno abrigo de sapé com buracos para fotografarmos sem incomodar a família penachuda. Fazia um calor infernal. O ninho estava vazio, e o gavião observava tudo de muito longe, de repente ele alçou voo e chegou no ninho e lá ficou enquanto nós foto-foto-foto...queríamos ver o filhotinho ser alimentado, mas não foi possível.

Não conseguimos nenhuma foto espetacular, mas realizamos nosso desejo de ver o bicho. Se quiséssemos melhorar o registro teríamos que aguardar a tarde toda, mas a fome começou a apertar, o sol estava infernal e tínhamos várias áreas a percorrer no nosso célere fim de semana. Resolvemos abandonar a vigília e ir almoçar em Iporanga.

Gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) - Ornate Hawk-Eagle
No retorno, tentamos ver algumas aves e beirando o rio, buscamos ver o socó-boi-escuro. Talvez pelo movimento dos homens recuperando trechos da estrada, nem sombra do bicho. Ô frustração. Eu já estava até vendo a silhueta dele em moita de capim e pedra...rs rs rs

Chegamos na pousada sob imenso calor, Santa Clara me atendeu e mandou sol, mas com ele veio o calor - muito calor mesmo. Resolvemos dormir um pouco - uma siesta sempre renova os ânimos. Ao acordar fomos para um local chamado Lajeado. 

Subimos a serra desfrutando de belas paisagens naturais. Viuvinha, pica-pau, um único lifer: tesoura-cinzenta de longe.

Viuvinha (Colonia colonus) - Long-tailde Tyant
De repente um marimbondo começou a me rodear e ao tentar espantá-lo, acabei levando uma picada. Dolorida, viu. Ainda bem que eu tinha lidocaína creme e uma pomada anti-alérgica na pousada (devia ter colocado na mochila). Pena não ter levado um comprimido anti-alérgico, pois começou a inchar e coçar e só quando cheguei em casa e tomei um metycorten, que começou a melhorar.

Nada de tietinga, tucano-de-bico-preto, sabiá-cica, araçari-poca ou araçari-banana, que todo mundo fotografa por lá...o Junior me explicou que as frutas que eles gostam frutificam apenas em determinadas épocas. Infelizmente essa era a época errada.
Domingo - 02/12/2012
 
No domingo, acordamos cedo, mas não tão cedo, saímos eram quase 8 horas. Fomos atrás do socó de novo e nada dele. Aí, o Junior nos levou ao Núcleo Santana. "O Núcleo Santana é o principal núcleo de visitação do PETAR. Localiza-se no vale do rio Betari, uma das paisagens mais notáveis da região. 

Maitaca-verde e Araponga
Maitaca-verde (Pionus maximiliani) - Scaly-headed Parrot
Oferece diferentes roteiros de visitação tais como a caverna de Santana, a trilha do Betari (Caverna Água Suja, Caverna do Cafezal e cachoeiras das Andorinhas e do Beija-flor) e a trilha do Morro-Preto Couto (Caverna do Morro-Preto, cachoeira do Couto e Caverna do Couto). Suas trilhas são de fáceis acessos e está localizado ao lado do Bairro da Serra - Iporanga, onde encontram-se a maioria das pousadas. A area de camping no nucleo de Santana não existe mais. Também é muito utilizado pelas escolas em atividades de Estudo do Meio". (wikipedia)

Para entrar no núcleo paga-se R$ 9,00 por pessoa e R$ 6,00 por carro. Idoso não paga, estudantes e professores pagam meia. 
Araponga (Procnias nudicollis) - Bare-throated Bellbird
Como íamos sair para São Paulo logo após o almoço, não foi possível uma intensa exploração. Logo na subida, paramos num belo local e fiz lindas fotos da maitaca-verde e da araponga. 

Um belo lifer a muito procurado e ainda não encontrado rendeu uma linda foto - surucuá-de-barriga-amarela. Pouco depois consegui atrair via play-back mais dois lifers: capitão-castanho e arapaçu-de-garganta-branca. 

Surucuá-de-barriga-amarela (Trogon rufus) - Black-throated Trogon
Arapaçu-de-garganta-branca (Xiphocolaptes albicollis) White-throated Woodcreeper
E num extra-aves, pude apreciar um bichinho chamado "opilião". O opilião não é uma aranha verdadeira. É muito comum na mata atlântica.

Opilião
Opilião
A Corruíra na pousada fez uma festa para minha lente. Seu ninho estava logo abaixo da varanda dos nossos quartos...

Corruíra (Troglodytes musculus) - Southern House Wren
Corruíra (Troglodytes musculus) - Southern House Wren
Antes de chegar na pousada, eu cliquei o gavião-bombachinha e o tapeçuru-de-coleira-branca, muito altos os dois, mas deu prá identificar. Almoçamos e após uma siesta, por volta de 3 horas pegamos a estrada de volta. Ainda tinha esperança de avistar o socó-boi-escuro, mas de novo, nada. Ficou para a próxima.

Gavião-bombachinha e o Tapeçuru-de-coleira-branca
Antes da chuva cair prá valer, ainda paramos para alguns registros no caminho. Um casal de anambé-de-rabo-preto, fez eu saltar do carro com o coração na mão. Achei que era uma tietinga, pois de longe só vi o preto-e-branco...

Godoy aproveitando o momento e fazendo fotos artísticas
Enfim, a chuva veio com tudo, mas já estávamos no asfalto. Tivemos que ir mais devagar até chegar na Rodovia Regis Bittencourt. A chuva diminuiu e o trânsito fluia bem até chegarmos na Serra do Cafezal. Duas horas para sair desse trecho, andando a 20 km/h. Que venha a duplicação o mais rápido possível, pois é um trecho muito tenso.
Tensão na subida da serra

Cheguei lá pelas 22 horas em casa. A viagem foi muito cansativa e a exploração do local foi "an passant". Permanece o gosto de quero mais. Não sei se poderei voltar em janeiro para ver o filhote do penachudo. Eu prefiro voltar na época certa, ou seja, da tal frutificação, perto do inverno. Eu, na minha santa ignorância botânica, achava que todas as frutas estavam prontas prá madurar no fim da primavera e início do verão. Aprendi mais uma. O Junior ficou de me avisar quando avistar o socó-boi-escuro lá por aquelas bandas (que ele acha que está com ninho nas árvores ao redor), e quando os bandos de tietingas, saíras, araçaris e tucanos estiverem colorindo o PETAR.  Mas uma certeza eu tenho: eu vou voltar.

5 comentários:

  1. Parabéns pela " fotoreportagem" ou " fotos-reportagem" . Despertou-me grande curiosidade e a certeza de que irei visitar o PETAR.
    Abraços
    Sérgio Berkenbrock
    ( sergiofloripa2@hotmail.com )

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  2. Silvia, novamente suas dicas ajudaram bastante! Eu estava planejando ir para lá entre o Natal e o Ano Novo, mas os preços cobrados estavam abusivos...e agora prefiro esperar a melhor época.
    Obrigado e abraço.
    Pompeo

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  3. Silvia, foi um imenso prazer recebê-la aqui no PETAR - Iporanga. Espero revê-la em breve. abs

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  4. Você realmente é uma pessoa muito privilegiada e de muito bom gosto! Parabéns.

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  5. Espero muito ir lá até o filhote estar por ali ainda... preciso ver esse danado, bicho LINDO DEMAIS!!!!

    Show Silvia, parabéns ;)

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